Tem 23 anos, pelo menos foi o que lhe disseram no hospital.
Seu nome é... não tinha muita certeza a respeito, eles disseram Pedro, mas
antes de acordar tudo lhe fazia acreditar que seu nome era Antenor, se lhe
chamassem assim responderia sem cerimonias. Mesmo com o nome Pedro Campos
Pereira escrito em um documento oficial ao lado de uma foto sua, ele não estava
tão convencido.
Então, quem seria Antenor?
Em frente da porta verde de uma casa simples longe do centro, Pedro olhava o chaveiro que lhe
entregaram junto com o endereço e outros pertences, que estavam com ele quando
o encontraram coberto de sangue naquela mesma rua. Às suas costas tudo se
movimentava, parecia que o mundo não tinha sentido sua falta. As pessoas
continuavam na sua grande brincadeira de viver, fingindo que aquela superfície rochosa suspensa em lugar nenhum que dá voltas em torno do sol com ajuda de forças
desconhecidas, mas calculáveis, era tudo
o que precisavam para serem felizes, se consumissem tudo o que existia ali.
Apesar de não se lembrar nem de quem era, o seu ódio pelo
mundo era vivo em sua memória. Os pensamentos a respeito disso pareciam
antigos e muito bem trabalhados em sua mente.
Abriu a porta de sua suposta casa. O interior era agradável
e isolado da loucura que se passava lá fora.
Casa de dois cômodos: um era o banheiro e o outro, o resto da casa. Estava
mobiliada com um sofá, TV, computador, geladeira, fogão, mesa, ventilador de
teto e uma estante de livros. Nada lhe era familiar, apesar de a organização
dos objetos lhe agradar.
Tudo esteva arrumado e uma fina camada de poeira cobria a face superior dos objetos. Andou pela casa observando tudo, desejando
que algo lhe trouxesse recordação de sua vida. Porém só uma coisa chamou a sua
atenção. Escrito com letras douradas em uma capa vermelho de um livro, Pedro
leu: Antenor.