terça-feira, 21 de agosto de 2012

Julgamento



Julgo-te filho da inteligência.
Primo da ignorância.
Servo da verdade.
Inimigo da mentira.
Proíbo-te a vaidade,
Discípulo da honra,
Sobrinho da coragem...


Cria-te raízes sobre o que julgo-te.
Tens uma arma poderosa em mente,
tomara que só em mente esta fique...
Tens poder para ter domínio!
Tens poder para teu próprio extermínio!

A inocência que te dou
facilmente rejeitas.

E da curiosidade vem o alimento
para a fome obscura quem tem...
Só não sabes que a própria morte sustenta.
Tens certeza que não sabes disso
ou faz de propósito?

Não te preocupas com os teus filhos,
não importa qual presente a eles deixarás.
Cansei de falar sem ninguém ouvir.
Por ironia, ou por burrice, você sorri.
Cansei!
Julgo-te homem.

Adalberto campos. 

Um abandono.




Vão as rimas por ai
Vadiando aqui e ali
Vão correndo por andar
Vão carregadas por amar
Vão, por que vão?
Vão, mas sempre em solidão
Quebram o que é constante
Deixa inteiro na estante
O instante que cá estava,
mas já se foi.

Vai cedo pela manhã
Vai cheio de fadiga
Vai e, aos berros, tudo xinga.

As metáforas, amigas,
Ficam e desfrutam.
Ficam dias...
Ficam... e não voltarão.
Participam das poesias
que outros escreveram
e que de mim deveria ter sido...

Devia ter comparecido
aos pés do monumento.
E ter-me inspirado por aquele sentimento
no qual sentiu o poeta esquecido...
Não lembrava que suas rimas eram suas
e agora são ainda mais...
A diferença de antes é que elas eram iguais.


Bruno Martino. 

Ode / Fato


Ode

Onde já se viu
escrever poesia no teclado,
se a melhor coisa
pra se ter ao lado
é a companhia
da caneta e do papel?







 Fato

Doeu, machucou?
foi pra ensinar.
Melhor morrer de dores
que morrer
sem amar.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Asfixia.



Busca-me assim como quem busca a morte
depois de noites no frio e na tortura da mente
pela mente,
enquanto chora por quem ama.
Mas não tenho consolo
para as feridas que desferiu a si,
Podre alma bastarda
da glória e do orgulho.
Germinada pelo sangue que machava
as notas de um soldado,
sua ira nasceu para se tornar tudo o que tem agora
contra um mundo podre e desesperado demais para entendê-la.

Como não chorar com tamanho despreso?
Mesmo eu o tenho por ti.
Porém choro, pois sei que se perde
num desespero solitário...
Como alguém que se afoga
e se debate com agonia de querer vencer.
E no fim só resta ficar vendo aquilo
que queria ser alcançado
afastar-se enquanto se afunda...
Na água e na frustração.

Adalberto Campos.

Doce perigo.




Não tenho os teus olhos
para sofrer o que vê.
Não tenho a paciência
que te acalma,
ou que esconde tua fúria.
Não tenho a frieza
com que encara
os mesmos olhos da sociedade
que lambem a tua imagem.
Não tenho as garras da ironia
Com as quais brinca e se defende.
E acima de tudo
não tenho em mim
algo que me defenda
de tudo o que tu és...
Mas beija-me.

Daniel Oliveira.

Sobre as coisas mais profundas da vida




Despedida nunca é bom,
sempre deixa seus traços de solidão.
Uma gota de desespero
e o coração na mão.

A melhor definição de amor é "um troço"
que deixa qualquer sujeito sem jeito,
pois que não vê defeito nem faz correto.

A saudade é um objeto
que cái no chão, espatifa
e só aumenta de tamanho.

Amor é um estranho,
causa riso, traz dor e palavras.
Se eu pudesse lavá-las,
talvez não ficasse tão triste.

Mas só a despedida traz uma saudade
que nenhum coração resiste.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Link Cultural

Mais um Link Cultural mostrando dois blogs de poetas fantásticos! O que não significa que nos blog há somente poesias. Nossos autores dessa semana também produzem textos e contos. Espero que entrem e deem suas sugestões e criticas, pois só assim poderão crescer e saber o que lhes falta e o que está excessivo na escrita! 

Sobresss de Miguel Sartori. Recomendo o conto À margem, muito bem escrita e de uma narrativa deliciosa. 

Concelhos Para Nós de Atena Cristina. Recomendo Livros, um ótimo texto e um ótimo concelho, haja visto a motivação do blog. 

Espero que gostem do Link Cultural dessa semana, quinta-feira que vem teremos mais. Os interessados em divulgar o seu blog, por favor mande os links para mim através do e-mail meunomeb@hotmail.com, ou podem publicá-los no mural do evento do Sarau do Desconhecido no Facebook.

Gostou? ajudem a nos divulgar compartilhando os trabalhos que mais gostaram, ou simplesmente o link do nosso Blog. 
 

Dúvida.

A dúvida é engraçada
no seu modo de agir.
Silenciosa, chega como negação.
Algo impossível, inconcebível,
mas penetrante.

Aos poucos ganha razões
e se torna medo.
Ganha frequência 
a cada dança com a mente.

Dai então desgastas velhos discursos.
Tira os confortos da certeza...
E some.


Daniel Oliveira.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Taverna


À noite, sombras curiosas assistiam
ao sentimento de ferida
dos pacientes
dos hospitais-taverna.
Em tais clínicas,
sorrisos parecem:
Choros,
tonturas,
abandono,
e perdição.
Sintomas clássicos da paixão.

Nestes locais,
sóbrios homens intelectuais
deleitam-se nas loucuras
das bebidas infernais.
É um labirinto de mesas,
pessoas e frustrações.
A música alegre mente sobre o amiente...
E as sombras, esquecidas, alimentam-se.
Dores doutra semana,
lembranças de uma alma quebrada
e os lamentos choramingados em devaneio
são os pratos preferidos.

A lua é quase sempre testemunha
da cura que a noite faz
em tais hospitais.

Bruno Martino.

Grande Tudo.


Sublime existencia sem manual de intrução.
Sublime desespero em me agarrar ao que me faz bem,
mesmo que me mate.
Pequena esperança em entender tudo.
Grandes destruições das expectativas.
Lampejos de pensamentos que me elevam,
mas não me trazem nada de bom.
Confusas vozes e palavras em minha cabeça,
que fazem sentido.         
Não vejo, daqui, nem um décimo do que existe,
e não sinto vontade em ver, apenas questionar
tudo que me rodeia. Afinal que vida inútil perto de Tudo.
Um mistério que rodeia a todos
e todos ignoram, porque vivem.

Daniel Oliveira.


Pistas. A série.


Tem 23 anos, pelo menos foi o que lhe disseram no hospital. Seu nome é... não tinha muita certeza a respeito, eles disseram Pedro, mas antes de acordar tudo lhe fazia acreditar que seu nome era Antenor, se lhe chamassem assim responderia sem cerimonias. Mesmo com o nome Pedro Campos Pereira escrito em um documento oficial ao lado de uma foto sua, ele não estava tão convencido.
Então, quem seria Antenor?
Em frente da porta verde de uma casa simples longe do centro, Pedro olhava o chaveiro que lhe entregaram junto com o endereço e outros pertences, que estavam com ele quando o encontraram coberto de sangue naquela mesma rua. Às suas costas tudo se movimentava, parecia que o mundo não tinha sentido sua falta. As pessoas continuavam na sua grande brincadeira de viver, fingindo que aquela superfície rochosa  suspensa em lugar nenhum que dá voltas em torno do sol com ajuda de forças desconhecidas, mas  calculáveis, era tudo o que precisavam para serem felizes, se consumissem tudo o que existia ali.
Apesar de não se lembrar nem de quem era, o seu ódio pelo mundo era vivo em sua memória. Os pensamentos a respeito disso pareciam antigos e muito bem trabalhados em sua mente.
Abriu a porta de sua suposta casa. O interior era agradável e isolado da loucura que se passava lá fora. Casa de dois cômodos: um era o banheiro e o outro, o resto da casa. Estava mobiliada com um sofá, TV, computador, geladeira, fogão, mesa, ventilador de teto e uma estante de livros. Nada lhe era familiar, apesar de a organização dos objetos lhe agradar.
Tudo esteva arrumado e uma fina camada de poeira cobria a face superior dos objetos. Andou pela casa observando tudo, desejando que algo lhe trouxesse recordação de sua vida. Porém só uma coisa chamou a sua atenção. Escrito com letras douradas em uma capa vermelho de um livro, Pedro leu: Antenor. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

II Sarau do Desconhecido.


Neste sábado, dia 11 de Agosto, convido todos vocês para participarem do II Sarau do Desconhecido, e também convido para que levem seus poemas ou nos envie por e-mail : meunomeb@hotmail.com . Chamem quem quiser ir. O evento ainda será a sombra da Biblioteca Nacional, nos bancos. A partir das 16:00.

Conto com a participação de vocês! Mais informações estão contidas no evento do sarau no Facebook:

Os poemas, com as devidas permissões de seus autores serão publicadas no blog, assim como o blog dos autores serão divulgados no Link Cultural. 

Ah! e não é só porque é um sarau que signifique que as outras artes não podem ser apresentadas. Desenhistas, pintores, escultores e fotógrafos se quiserem levar uma amostra do seu trabalho fiquem a vontade para fazê-lo! Exporemos de bom grado o trabalho de todos! 

Até sábado pessoal!

Confusão



             

            A arma na mão. Confuso, sem saber o que fazer. Com o polegar ele engatilha e o indicador firma mais no gatilho. Ouvia vozes por todos os lados, mas não via ninguém por perto. Era apenas ele, quatro paredes e um revolver. Ele estava perdido naquele mar de confusão que estava sua mente.
            E o vento soprava forte, e o fazia balançar. Ele corria de um lado para o outro arrumando as coisas. As ondas vinham, batiam e quase o derrubava. O mar estava agitado mais que o normal. As ondas batiam como se quisessem virar o barco, pois arrebentavam contra a polpa. Iam, voltavam e massacravam o barco. As velas eram puxadas, o mastro era ajeitado e o manche era mantido sobre controle, tudo por um homem. Estava tudo normalizando e ficando calmo novamente. Então veio a grande onda e virou o barco. BAAAAM!
            Ele se perdeu no meio de seu mar de confusão. E se foi. Tudo que restava agora eram quatro paredes, um revolver e um corpo sem vida sangrando no chão. De um momento para o outro sua vida mudou ao ponto de deixar de existir e o mais estranho de tudo é que aparentemente ninguém se importava com aquilo.

Felicidade Destruidora.


Conforme todos diziam
A felicidade está em tudo o que dizem.
Simplesmente as propagadas me entendem e
Mostram necessitades que não conhecia,
O que me desesperou.
Tantas coisas que não possuo!

Conforme fui crescendo
Tive que ir pedindo.
E quando tinha, esquecia.
Era o que acontecia,
Logo que algo melhor  aparecia!
Engraçado como coincidia com datas comemorativas.

Na idade de duas décadas já não se entende
Porque tantas coisas diferentes para a mesma função...
Tantas pessoas batalhando por elas
E, sem usá-las, trocam por melhores, ou o que dizem ser melhor...

Foi quando comecei a pensar:
Que liberdade estamos vivendo?
A liberdade de sempre fazer algo que devemos
Para ter o que queremos guardado apenas na lembrança
De tê-lo comprado?
Que felicidade estamos tendo em destruir o mundo
Que não conhecemos?
Vivemos no prazer instantaneo sempre, talvez estejamos viciados.

Adalberto Campos.   

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poetas



 Sabe como são os poetas?
Choram suas palavras,
escrevem por prazer
e amam... a separação.

Felicitam-se na felicidade
de estarem sempre sozinhos,
O que é um segredo,
que esconde em suas poesias
e quase ninguém consegue decifrar.

As lágrimas que borraram a tinta
são a felicidade que exalta
nas rimas dramáticas
de uma depressão em um quarto escuro.

Suas controvérsias constroem  seu rosto,
ou pelo menos o seu sentimento,
que ainda é misterioso...
Mesmo quando o declara
Nos versos de um amante
ou nas rimas de um mal amado,
nada é como deveria!
Isto é bom
para um poeta,
qual nunca amaria
por amor a profissão.


Daniel Oliveira.

Mãe Silenciosa.


Se a cidade parasse
Ouvia-se a terra que chora.
Se no tempo eu voltasse
Viveria belezas de outrora.
Minh’alma sofre
E é por ti Gaia!
Em teu peito ardente
um sentimento a traí!
Sim! O perdão
E a compaixão
Adiam o necessário!
O caminho mais viável
Que nos levará,
Para que viva.
Pois o caminho que nos guia
Não soubemos trilhar.

Adalberto Campos.

Morte. Uma trilogia.


III
E lá estava ela sem saber o que fazer. Seu namorado havia morrido em seus braços, e o enterro não tinha sido algo fácil de aguentar. Aquilo lhe causava repulsa. Saber que nunca mais poderia beijá-lo, abraçá-lo, sentir o seu cheiro ou ouvir a sua voz, principalmente daquele jeito quando falava baixinho no seu ouvido.
“Porque isso tem que acontecer comigo?” pensou. Chorava mais do que jamais chorou.
Estava em seu quarto agora, mas não queria ficar ali. Tudo que estava lá só lhe traziam lembranças dele. Se levantou e saiu. Andou pela casa pensando que aquilo a faria melhorar, e não fez.
Foi até o parque em frente a sua casa, aquele lugar sempre lhe acalmou depois das brigas e dos momentos de estresse que quase toda relação tem. Sentou-se em um banco e ficou jogando pedras no lago e, querendo ou não, lembrando dele. Aquilo parecia uma tortura. Voltou para casa. Quando abriu a porta viu a mãe dele sentada no sofá sala.
“Porque será que ela esta aqui?”
— Oi, Nicole. Como está? — perguntou a visita, não era o que ela queria dizer de verdade, mas tinha que começar uma conversa.
— Nada bem. Só penso nele. Mas porque veio? — Estava se segurando para não chorar mais e a mãe dele ali na sua sala não ajudava.
— É que eu estava arrumando as coisas dele e... achei uma carta para você.
— Você leu?
— Não. Do lado de fora estava escrito que era só para você, então achei melhor não abrir.
Ela entregou a carta para Nicole e foi em direção a porta, mas parou e virou.
— Ele te amava de verdade.
— Mas você disse que não leu a carta.
— Não li, mas os cadernos dele estavam cheio de poesias para você. Passe lá em casa para ler se você quiser.
Nicole ficou sozinha na sala. Olhou para a carta  e pensou em abrir, mas subiu para o seu quarto e guardou-a.
Assim se passou uma semana e ela atá esqueceu da carta guardada. Até que um dia, num sábado, foi procurar no seu o quarto algo, que esqueceu quando achou a carta por acidente. Decidiu que não podia fugir daquilo para sempre. abriu:
“Nicole,
Se está lendo é porque aconteceu. Espero ter te contado e então esta carta é inútil. Agora se eu não te contei, peço que me perdoe. Acho que eu te amo demais para querer que sofra por mim. Simplesmente sou assim... mas espero que possa ver o quanto da vida ainda tem pela frente, então viva por mim.”


Pedro Augusto Oliveira